Publicado por: geoedgar | junho 23, 2009

Novos protestos acentuam divisão política no Irã

O alerta da Guarda Revolucionária do Irã de que seus soldados vão reprimir protestos realizados sem a permissão das autoridades é apenas a mais recente ameaça contra a oposição iraniana.

A postura oficial foi estabelecida por pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, durante as orações da última sexta-feira.

De acordo com o líder supremo iraniano, a votação que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi justa e os iranianos deveriam aceitar os resultados. E, caso protestem nas ruas, eles correm o risco de sair feridos.

A prioridade para as autoridades iranianas é impedir mais manifestações. Eles parecem ter reconhecido que a presença de tantos manifestantes desafiando o regime estimula a campanha política que ocorre dentro da elite iraniana, comandada pelo homem que acredita ter vencido as eleições, Mir Hossein Mousavi.

O aliado mais importante de Mousavi é o ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, cuja filha e outros membros da família foram detidos e libertados durante o fim de semana.

Desafio para a oposição

O desafio para a oposição é encontrar uma forma de continuar com as manifestações apesar das ameaças.

O que é mais importante a respeito das manifestações do último sábado é o fato de o protesto ter sido realizado depois de um alerta tão explícito do líder supremo iraniano.

A resposta de Mousavi foi brusca. Ele desafiou a autoridade do líder supremo, como os manifestantes que o apoiam. Mousavi afirmou que o Irã precisa de uma reforma abrangente e que as pessoas precisam de liberdade de expressão.

Mousavi e seus partidários, que querem a anulação das eleições, provavelmente não ficaram satisfeitos com o anúncio do Conselho dos Guardiões, que supervisiona a votação. O órgão reconheceu que ocorreram irregularidades nas eleições do último dia 12, mas acrescentou que isso não anula o resultado da votação.

Divisão

A divisão entre os dois lados no Irã está aumentando.

Outros confrontos já ocorreram nas ruas do Irã durante os 30 anos de história da república islâmica.

Mas o que faz com que a atual crise seja sem precedentes é a escala da divergência nas ruas, e o fato de que essa divergência é paralela ao rompimento na elite governante.

Nos últimos 30 anos, os mais importantes líderes do Irã não concordaram uns com os outros muitas vezes, mas nunca levaram suas brigas até as pessoas, como está ocorrendo agora.

O interesse desses líderes na sobrevivência do sistema pesou mais do que qualquer vantagem que eles poderiam ter esperado quando levaram suas brigas a público.

Mousavi era protegido do falecido aiatolá Khomeini, que liderou a revolução contra o xá Reza Pahlevi. Mas agora ele está rompendo publicamente com o sucessor de Khomeini, o aiatolá Khamenei. E parece que, a partir de agora, não há caminho de volta para nenhuma das partes.

Jeremy Bowen

Editor de Oriente Médio da BBC, de Teerã

Fonte: BBC


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